quarta-feira, maio 18, 2011

Refletindo a Vida

Então, é meu primeiro post aqui. Não sei bem o que escrever. Na verdade não sei para quem vou escrever.
Isso aqui está se parecendo com sessão de análise. Eu sempre pensei que não precisasse de análise. No fundo, eu acho que todos precisamos..
Aqui no meu quarto não tem muita coisa legal: Atrás de mim fica um guarda roupa (meio manco), ao meu lado tem uma cama (com edredom do Big Brother Brasil, na época que comprei eu gostava :\ ), a minha imensa cortina verde (de um verde quase fluor), no canto fica meu cabideiro com algumas bolsas (sou mais uma do universo feminino apaixonada por bolsas) refletido pelo meu espelho (que não tem nada de diferente, mas é o meu espelho, e isso o torna diferente) e aqui em minha frente meu computador.. A minha WebCam não funciona e ultimamente o computador também não está dos melhores, mas tem me feito muita companhia!
Não sei por que estou falando de mim e do universo que me rodeia. Parece que estou tão inserida nele que não consigo visualizar outras coisas. Na verdade tudo parece um caos aqui dentro, nada está no lugar. Acho que nada mesmo! Imagino que seja o reflexo do próprio dono, assim como os animais são e as crianças também. Chego a me lembrar das palavras de Carlos Drummond de Andrade. Vou transcrever aqui e espero ser, hoje, compreendida.
Prometo voltar amanhã com um pouco mais entusiasmo e novidades a todos.

Beijocas de caramelo!!


O HOMEM, AS VIAGENS


O homem, bicho da Terra tão pequeno

chateia-se na Terra

lugar de muita miséria e pouca diversão

faz um foguete, uma cápsula, um módulo

toca para a Lua

desce cauteloso na Lua

pisa na Lua

planta bandeirola na Lua

experimenta a Lua

coloniza a Lua

civiliza a Lua

humaniza a Lua

Lua humanizada: tão igual à Terra

o homem chateia-se na Lua

Vamos para Marte, ordena à suas máquinas.

Elas obedecem, o homem desce em Marte

pisa em Marte

experimenta

coloniza

humaniza Marte com engenho e arte

Marte humanizado, que lugar quadrado

vamos a outra parte?

Claro diz o engenho

sofisticado e dócil.

Vamos à Vênus

o homem põe o pé em Vênus,

Vê o visto, é isto?

Idem

Idem

Idem

O homem funde a cuca se não for à Júpiter

proclamar justiça com injustiça

repetir a fossa

repetir o inquieto

repetitório

Outros planetas restam para outras colônias.

o espaço todo vira Terra-a-terra.

o homem chega ao Sol ou dá uma volta

só para te ver?

Não vê que ele inventa

roupa insiderável de viver no Sol

põe o pé e:

Mas que chato é o Sol, falso touro espanhol domado.

Restam outros sistemas fora

do solar a colonizar.

ao acabarem todos

só resta ao homem

(estará equipado?)

a dificílima dangerosíssima viagem

de si mesmo a si mesmo:

por o pé no chão

do seu coração

experimentar

colonizar

civilizar

humanizar

o homem

descobrindo em suas próprias inexploradas entranhas

a perene, insuspeitada alegria

de con-viver.

(Carlos Drummond de Andrade)

2 comentários:

  1. Que maravilha você por aqui. Amei seu primeiro post. Introspectivo o bastante para se tornar um texto descritivo, autentico e apaixonante.... amei tudo! Espero que na próxima volte radiando felicidade.
    Sou sua fã, amiga. bjossssssss

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  2. Wan, obrigada pelas palavras de apoio e carinho.
    Agora acredito que esteja bom, afinal um elogio vindo de você significa muito!
    Bjo bjo

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